Serviço e lógica do ranqueamento prevalecem na cobertura do Enem .·.·.·.·.·.·.·.· Ação Educativa ¨·¨·¨·¨·¨·¨·¨·¨·¨·
Edição nº 39 - 23 de outubro de 2008

Persiste repercussão da proposta de ensino médio obrigatório, mas falta problematizaçãs

Durante seminário realizado pela Unicef, em Buenos Aires, na Argentina, para debater o ensino médio, a proposta de tornar a etapa obrigatória no Brasil ganhou força e foi defendida pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, no início de setembro. Na segunda quinzena do mês, o tema voltou à pauta em entrevista concedida por Haddad ao Valor Econômico. Apesar da importância, faltam problematizações e pluralidade no debate.

O ministro informa que essa seria uma prioridade nas metas propostas para a utilização dos recursos oriundos da exploração da camada pré-sal de petróleo. No entanto, para além da disponibilidade de recursos necessários na implementação, a questão da obrigatoriedade do ensino médio requer reflexões que contemplem a diversidade de realidades e interesses no Brasil.

Quais os aspectos jurídicos envolvidos na questão? Para quem será obrigatório: para a oferta pelo Estado ou para a freqüência dos estudantes? Qual modelo será obrigatório? Qual o lugar do ensino profissionalizante no debate? Como responsabilizar pais e mães pela não freqüência de seus filhos no ensino médio? Qual deve ser o limite de idade contemplado pela obrigatoriedade? A medida é viável para todas as juventudes do Brasil? O debate sobre a queda no número de matrículas em alguns estados e possível desinteresse dos estudantes também podem estar presentes da discussão sobre essa proposta que ganha força no ministério.

Peças de um mosaico

Pautados pelo poder público, os jornais de circulação nacional, bem como os locais, divulgam ao longo do ano diferentes dados referentes à Educação. Resultados de avaliações como o IDEB e o ENEM ganham grande espaço na cobertura da imprensa, da mesma forma que as publicações do IBGE. Na segunda quinzena de setembro não foi diferente: a Síntese de Indicadores Sociais do IBGE, com dados de 2007, foi divulgada e teve destaque nas páginas de Correio Braziliense, O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo e O Globo, dentre outros. Novamente, os números foram tratados como parte de uma peça isolada, sem relação com outros indicadores.

Ao longo do ano, o conjunto de informações relacionadas à educação é pouco problematizado. E as características do mosaico composto não emergem, apesar das condições para tanto. A desigualdade entre as regiões do Brasil é gritante e, pelo cruzamento dos índices disponíveis, é possível relacionar a disponibilidade de recursos ao acesso e à qualidade do ensino.

Por isso, impressiona que a questão do financiamento não seja citada nas reportagens sequer como possibilidade de explicação dos índices disponibilizados pelo IBGE. Culpabiliza-se professorado e políticas pedagógicas (ou ausência de), por exemplo, mas não se arrisca apontar o baixo financiamento como fator principal.

Educação inclusiva

O governo Federal também pautou a acessibilidade nas escolas. Sempre ausente do debate sobre educação na imprensa, o tema foi abordado por Correio Braziliense, O Estado de S. Paulo, Folha de Londrina, e Jornal da Tarde. O motivo foi o anúncio de aumento do repasse do Fundeb às escolas que investirem em educação inclusiva.

A falta de acessibilidade é um grave problema no País e merece tratamento mais sistemático pela imprensa. Existem prazos estabelecidos pela Justiça para a adequação de escolas, bem como possíveis sanções a quem não garantir condições para a educação inclusiva. Isso poderia ser melhor explorado. Também, renderiam reportagens interessantes as diferentes experiências de inclusão, destacando êxitos e dificuldades encontradas pelas redes de ensino, públicas e privadas.


O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social desenvolveu o Observatório da Eqüidade que, anualmente, disponibiliza indicadores educacionais organizados na perspectiva das desigualdades étnico-raciais, de gênero e territorialidade. Pode ser uma boa ferramenta para a interpretação de dados com recortes específicos para á área educacional.

Ensino Médio

Nora Rut Krawczyk – professora da Unicamp – Tel: (19) 3521 5557. E-mail: norak@unicamp.br

Márcia Ramos - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) – Tel: (11) 3361-3866.

Sobre a educação inclusiva:

Informações

Cartilha Ministério Público Federal

Márcio Alan Menezes Moreira - Cedeca (CE) – Tel: (85) 3252-4202 - marcioalan81@gmail.com

Keyla Chaves - Centro de apoio a mães de portadores de eficiência (CAMPE) – Tel: 8819-7182

Fábio Adiron - Fórum Permanente de Educação Inclusiva – E-mail: fadiron@terra.com.br / Tel: 8179-6000.

Claudia Werneck – Escola de Gente – E-mail: escoladegente@escoladegente.org.br

Fontes em educação.

Boletim quinzenal produzido pelo Observatório da Educação
Contato:
fone (11) 3151-2333, ramais 175 e 170
Equipe: Mariângela Graciano (coordenação) e Hugo Fanton (redação)