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Editorial
Arte das bordas da Metrópole
Na periferia se produz uma arte com conteúdo diferenciado. Uma estética
própria dos arrabaldes tem surgido a partir de experimentações artísticas
expressas em várias iniciativa culturais. Destacamos nesta edição o
espetáculo de teatro Hospital da Gente, do Grupo Clariô. A peça está em
cartaz desde fevereiro e promete esticar a temporada por pelo menos mais
um mês. Nela, um grupo formado apenas por mulheres, o que já é um fator
muito relevante, desenvolve um espetáculo onde texto, cenário e
interpretação se fundem num único movimento de intensa força dramática.
Não há palco. A cena se desenvolve numa casa típica de periferia. Os
espectadores também são parte do espetáculo e interagem com as atrizes. É
uma experimentação muito original e que pode estar revelando uma arte
própria da Periferia.
O JAMAC – Jardim Miriam Arte Clube uma organização da periferia da Zona
Sul, divisa com Diadema, realiza no âmbito das artes plásticas, movimento semelhante ao que o Grupo Clariô promove nas artes cênicas. A artista
plástica Mônica Nador conseguiu desenvolver juntamente com jovens
formados nas oficinas do JAMAC um processo artístico que efetivamente
envolve a comunidade. Se a gente pensar a cultura como as subjetividades
em movimento, o JAMAC promove uma experiência que traduz esse conceito.
Uma arte que envolve diretamente as pessoas, sendo um atelier aberto para o
qual se convergem vontades criativas. E não só de desenhos vive o JAMAC.
Funcionando como espaço cultural, |
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lá rolam debates, oficinas e mostras de
vídeo como a que noticiamos na página 8.
Na literatura, a Edições Toró traz à público mais uma obra original e que
contribui para a formação de um campo literário com características distintas
em função da relação de quem escreve com o lugar onde escreve. A escrita
periférica se tornará mais evidente com o lançamento de Te pego lá fora de
Rodrigo Ciriaco, obra com 25 contos deste professor - escritor que abstraiu
do cotidiano de uma escola pública na periferia de São Paulo, histórias e
estórias de tirar o fôlego. Seguindo o exemplo da Toró, o Sarau Elo da
Corrente inaugurará sua editora, lançando uma coletânea belíssima. Nas
letras, a picada aberta por Ferréz, cada vez mais torna-se uma vereda.
Não falamos mais da cultura de periferia apenas como a afirmação política
dos que produzem arte nos limites da Cidade. Hoje podemos, pelos exemplos
aí citados e muitos outros, falar de uma cultura própria da periferia.
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