As contribuições africanas para o desenvolvimento humano-universal, por Deivison Nkosi

Para complementar o debate sobre os valores civilizatórios africanos e historicização das Áfricas, o professor de História da África e doutorando em sociologia, Deivison Nkosi, apresentou algumas das contribuições dessas populações para o desenvolvimento humano-universal.

O traço mais marcante do continente é o fato da África ser o berço da humanidade, antiga e moderna. E consequentemente ser o ponto de origem das populações que povoaram o planeta. Deivison recorda que as atuais diferenças morfo-fenotípicas entre populações humanas – as chamadas “raças” – são um fenômeno recente na história da humanidade (presumivelmente do final do paleolítico superior, 25.000 a.C. – 10.000 a.C.).

Assim, salienta, Deivison “é impossível conceber um análise séria de qualquer civilização antiga, sem entender sua relação com o continente africano. É mais do que ver a história do negro, é rever a história da humanidade, se livrar de preconceitos. Por exemplo, quando encontramos estátuas com traços negróides em países como o México e até em países como a China, Japão. Os primeiros habitantes do planeta eram negros e negros se espalharam pelo mundo”.

Outro registro compartilhado pelo professor é o fato de ter mais pirâmides na China do que no Egito, em regiões da área tropical na mesma linha que se encontram as pirâmides astecas, na América Central.  Para Deivison, o fato de muitas vezes serem atribuídos ao sobrenatural ou a extraterrestres a autoria de feitos como estes, está na questão de ser impossível conceber que essas tecnologias viriam de povos não brancos dentro de uma historiografia eurocêntrica, preconceituosa.

Ao pensar no Egito e suas grandes construções, por exemplo, é possível identificar o número áureo, ou da razão áurea, ou ainda número de ouro, que as crianças aprendem na escola ser uma das contribuições dos gregos, com Pitágoras. Mas algo que não é divulgado é o fato de que a maioria dos melhores pensadores da Grécia foi estudar em Alexandria, uma das cidades africanas mais importantes do mundo antigo, de onde apreenderam inúmeros conhecimentos essenciais para construção da sua cultura.

“A nossa noção de ciência parte do pressuposto de que tudo veio ou iniciou-se na Grécia e de que os outros povos em nada contribuíram, quando que na verdade a África, seus povos e suas produções são fundamentais em todos esses processos. Daí a importância de conhecer a história da África e revisitar inverdades produzidas pela historiografia oficial”, comenta.

O título de “Pai da Medicina” atribuído ao grego Hipócrates corresponde a mais um equívoco cometido pelo domínio europeu na descrição dos processos históricos dos outros povos. A condição de Pai da Medicina seria mais apropriada ao cientista e clínico egípcio Imhontep, que quase três mil anos antes de Cristo praticava quase todas as técnicas básicas da medicina.

Os Dongon constataram há quatro milênios que a cada 1461 anos sempre no mesmo dia, a brilhante estrela Sirius se encontrava no mesmo lugar em que o Sol nascia. O interesse dos egípcios por Sirius se justificava, também, porque  ela assinalava a data mais importante para eles: quando ela nascia leste, anunciava a enchente do rio Nilo, cujo lodo fertilizava os campos e assegurava farta colheita. A estrela Sirius foi identificada por meio do telescópio Hubble centenas de séculos depois dos Dongon.

Os portugueses embora negassem o negro, se apropriaram de seus conhecimentos agrícolas e metalúrgicos para explorar continentes recém-descobertos como as Américas.

Ao finalizar, Deivison ressalta que as tecnologias e contribuições da África não pararam no tempo e muito vem sendo produzido ao longo dos séculos a partir das culturas e civilizações africanas. Para conhecer outras contribuições dos povos africanos à humanidade confira o artigo de Lázaro Ramos sobre o tema!

Diáspora • Primeiras dispersões: 100 mil anos (melanodermicos) • 40 mil anos (Ásia e Austrália) • 30-35 mil anos (Europa) • Surgimento dos Leocodermes – povos de cor branca (25 a 10 mil anos) • 18 mil anos (América)

Estátuas Olmecas (1200-400 a.C.), com traços negróides

Estátuas Olmecas (1200-400 a.C.), com traços negróides

O Buda nasceu na Índia e suas esculturas mais antigas dão conta de um rosto negroide, com traços e ‘carapinha’ característica dessas populações

O Buda nasceu na Índia e suas esculturas mais antigas dão conta de um rosto negroide, com traços e ‘carapinha’ característica dessas populações

O título de “Pai da Medicina” atribuído ao grego Hipócrates corresponde a mais um equívoco cometido pelo domínio europeu na descrição dos processos históricos dos outros povos. A condição de Pai da Medicina seria mais apropriada ao cientista e clínico egípcio Imhontep, que quase três mil anos antes de Cristo praticava quase todas as técnicas básicas da medicina.

Os Dongon constataram há quatro milênios que a cada 1461 anos sempre no mesmo dia, a brilhante estrela Sirius se encontrava no mesmo lugar em que o Sol nascia. O interesse dos egípcios por Sirius se justificava, também, porque ela assinalava a data mais importante para eles: quando ela nascia leste, anunciava a enchente do rio Nilo, cujo lodo fertilizava os campos e assegurava farta colheita. A estrela Sirius foi identificada por meio do telescópio Hubble centenas de séculos depois dos Dongon

Os portugueses embora negassem o negro, se apropriaram de seus conhecimentos agrícolas e metalúrgicos para explorar continentes recém-descobertos como as Américas.

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  1. Gostei , legal , amei , esse texto me conduz ao conhecimento.kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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