Educador debate violência e bullying homotransfóbico nas aulas de Educação Física

Leonardo Peçanha é  carioca e professor de Educação Física, especialista em Gênero e Sexualidade pela IMS/UERJ e Mestre em CIências da Atividade Física na UNIVERSO. É diretor do coletivo Grupo TransRevolução-RJ e Coordenador Nacional do Núcleo de Pesquisas do IBRAT (Instituto Brasileiro de Transmasculinidades). É também membro do Fórum de Pessoas Trans Negras.

Leonardo inicia sua fala lembrando que, embora fale com viés voltado para as práticas em Educação Física, tudo que for dito pode ser aplicado na escola como um todo.

Estereótipos na Educação Física
Existe um padrão nas aulas que faz com que o os alunos que pertençam a um padrão desviante sejam estigmatizados. Por exemplo, a menina que tem habilidades com jogos com bolas e esportes coletivos, ou alunos que tenham menos habilidades com esportes com bola e prefiram esportes com menos contato direto (como balé e dança), podem sofrer preconceito de seus colegas de classe, apenas por serem diferentes. Todos que fogem do padrão são caracterizados como algo pejorativo, causando sofrimento.

O docente precisa de ferramentas teóricas para interpretar o gênero como conceitos construídos e não naturalmente dados. Aquele corpo que está ali e a ligação dele com o esporte é algo construído muitas vezes fora da escola, mas externalizado dentro dela através do esporte. É preciso reconhecer a pluralidade entre as fronteiras entre masculino e feminino, transgredindo a norma socialmente imposta pelo heterossexismo e a cisnormatividade. Essas masculinidades são construídas também dentro da escola. É preciso entender que uma criança não é mais masculina ou mais feminina porque pratica determinado esporte. Cabe ao professor buscar a inclusão desses alunos, não contribuindo para que atos de discriminação sejam naturalizados e permitidos. Alguns professores não tomam posição quanto aos casos de violência.

Homofobia e transfobia e intersecção

Leonardo explica que orientação sexual é diferente de identidade de gênero. Orientação sexual diz respeito ao campo das afetividades e relações amorosas e sexuais (heterossexual, homossexual, bissexual, assexual etc.). Identidade de gênero é como a pessoa se identifica em relação à sua masculinidade e feminilidade. Nesse sentido, pessoas trans e travestis podem ter diversas orientações sexuais. As travestilidades e trangeneridades tem a ver com a não conformidade com o sexo biológico. É algo que é discordante do sexo biológico. Por exemplo: um homem trans é um homem que nasceu com vagina e, por isso, foi socializado para ser mulher. Em uma sociedade onde os corpos cisgêneros (que não são transgêneros) são a maioria e considerados o padrão, as trangeneridades vem fazer uma ressignificação, dizendo que os corpos cis não são os únicos tipos possíveis de corpos.

É preciso também não esquecer das questões raciais que perpassam essa vivência. Se uma pessoa trans já passa por inúmeras violências e estigmas, se essa pessoa tiver outro tipo de marcador social, como a negritude, ela passa a sofre outros tipos de violência. No caso das pessoas trans negras há essa marca de violência através do racismo.

Há também uma invisibilização das transmasculinidades. Leronardo lembra que essa invisibilização no Brasil não é a toda, pois a maioria dos líderes do movimento das transmaculinidades são negros. Isso significa que parte dessa invisibilização tem a ver com racismo e questões de classe, não apenas transfobia. Esse apagamento também pode acontecer por questões regionais, de deficiência e por etarismo (preconceito com relação a pessoas idosas).

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