Professora travesti dá relato sobre vivências escolares

Herbe de Souza (à direita) e Alan Ribeiro

Herbe de Souza, professora da Rede Municipal de Franco da Rocha, deu um testemunho sobre sua vida escolar e sobre sua experiência como educadora de crianças.

Ela começa o relato dizendo que já teve contato com tudo que foi dito anteriormente pelos outros palestrantes, pois não há como falar de travestilidades sem falar de bullying. Segundo ela, na infância sofreu assédio sexual sem poder fazer nada, pois tinha medo que contassem sobre ela aos pais, além de bullying nos banheiros e na sala de aula. Durante a vida escolar, evitava usar o banheiro e só saía de casa para ir a escola. Entre outras coisas, teve que abandonar as aulas de educação física por causa das humilhações. Na adolescência, ficou mais agressiva em resposta aos ataques e chegou a ter que fazer tratamento psicológico a pedido da escola, embora sua agressividade fosse fruto da transfobia que sofria. Segundo ela “a vítima teve que se tratar”, não os agressores.

Sofreu violência no CEFAM, mas a direção coibia a violência e conseguiu a fazer a formação tranquila no magistério e no Ensino Médio, além de estágio em Franco da Rocha. Ela diz que foi blindada pela diretoria e coordenação de Franco da Rocha, que bancaram sua presença como professora na escola. Ela considera que só está empregada pois prestou e foi aprovada num concurso público.
Hoje, trabalha com a mesma turma de alunos há 3 anos e aborda estereótipos e preconceitos com as crianças. Adota filas mistas, não faz filas de meninas e nem de meninos e incentiva o uso de brinquedos diversos independente do gênero das crianças, além de incentivar as meninas que gostam de praticar esportes considerados masculinos na educação física.

Após o relato sobre diversas eperiências, exibiu vídeo sobre o preconceito que as crianças passam no ambiente da escola, com um trecho do programa Esquenta – programa do menino que foi fazer balé no Bolshoi e o preconceito que sofreu por escolher bale clássico. O vídeo pode ser visto clicando aqui.

Após a exibição, fez uma exposição de fotos dos alunos e das práticas de igualdade que põe em prática durante suas aulas, mostrando que é possível criar um ambiente de respeito às diferenças e de igualdade para todos.

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