Filósofo fala sobre preconceito e aceitação na educação

Lula Ramires é filósofo, Pesquisador e doutorando em Educação USP, e começa a apresentação sugerindo que os convidados digam seus pratos favoritos. Com base nisso, explica que mesmo em características pessoais muito simples existe uma variedade muito grande, que não impede as pessoas de se relacionarem. Segundo Lula, é possível traçar um paralelo com a diversidade de orientações sexuais.

Ele define preconceito como um pré-conceito, opinião que se emite antecipadamente, sem que se conheça o tema ou a pessoa, um julgamento não fundamentado, ou uma indisposição ou julgamento prévio e negativo devido ao estigma ou estereótipo. O preconceito tem origem social, pois é assimilado no meio em que vivemos e o aplicamos espontaneamente.

O estereótipo é uma crença socialmente compartilhada a respeito de membros de um determinado grupo social. Supõe que o grupo é homogêneo e segue sempre o mesmo padrão de comportamento, eliminando as diferenças. O preconceito se baseia em um estereótipo negativo.

O estigma é um atributo ou característica de uma pessoa que a torna diferente das outras, em situação de inferioridade ou descrédito. É uma marca desqualificadora que se sobrepõe a quaisquer outros atributos que a pessoa possa ter.

Lula lembra que nossa educação se baseia na educação da revolução francesa, na qual todos os cidadãos recebem educação de forma a construir um projeto de nação unificada e fortalecida. Os preconceitos, entretanto, acabam impedindo que a escola tenha essa universalidade.

Esses preconceitos são difíceis de comparar. Como exemplo, Lula usa as dores que sentimos: será que há uma dor maior ou dor menor? Uma dor de dente não é menor ou maior do que uma dor de ouvido, porque são dores diferentes, subjetivas e íntimas, particulares a cada sujeito.

Para ele, discriminação se combate com leis, preconceito se combate com educação. Uma pessoa punida por seus preconceitos não necessariamente se educa a respeito deles. Maneiras de pensar preconceituosas tem implicações práticas que são antisociais.

Ao falar sobre identidades de gênero, Lula explica que nossa identidade de gênero é construída através de particularidades pessoais em contato com socializações, que variam com o tempo, contexto social etc. Um exemplo são as mulheres, que são mulheres diferentes de suas mães, que por sua vez são diferentes de suas avós. Todas elas, porém, são mulheres. São construções sociais das diferenças percebidas entre os sexos, como diz Joan Scott. Essa construção é feita com base em oposições. Ser homem, portanto, é não ser mulher, e vice-versa. É um conflito artificial.
Essas construções são reforçadas desde o nascimento, através dos brinquedos, das histórias e indicadores sobre o que é masculino e o que é feminino. Elas partem de um pressuposto: há dois sexos que são opostos, cada u tem um destino próprio a cumprir – quem nasceu com o pênis é homem, terá comportamento viril (agressivo) e se sentirá atraído sexualmente pela vagina e pelas condutas consideradas femininas (delicadas, submissas). Mas isso é ser homem ou mulher hoje em dia? Para Lula, menos do que apagar as diferenças, trata-se de re-significá-las (dar-lhes novo sentido) e principalmente fazer com que deixem de ser marcadores da desigualdade.

 Ele encerra com a frase de John Ruskin: “Educar um/uma jovem não é fazê-lo/a aprender algo que não sabia, mas fazer dele ou dela alguém que não existia”.

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