Pesquisadora debate Assexualidade

Elisabete Regina de Oliveira é doutora em Educação pela USP, pesquisadora do campo Educação, sexualidade e gênero. Ela explica que alguns cientistas no campo da sexualidade se deparavam com pessoas que não tinham interesse por sexo. Essas pessoas não se sentiam doentes e nem tinham passado por nenhum tipo de trauma. Essa categoria de pessoas foi considerada como de pessoas com “ausência de orientação sexual”, nos anos 80, depois com o nome “ausência de atividade sexual” no começo dos anos 90 e depois com nomes como “baixo nível de excitação sexual” e “ausência de atração sexual”, mas não de desejo. A assexualidade é uma forma de viver a sexualidade caracterizada pelo desinteresse sexual, que pode ou não ser acompanhada pelo desinteresse por relacionamentos amorosos.

 Um estudo feito por Anthony Bogaert, em 2004, foi o primeiro estudo após o surgimento do conceito de assexualidade ter nascido. Ele mostrou que 1% da população não sente atração sexual. Essas pessoas existiam antes, mas o conceito enquanto categoria de sexualidade é muito recente. No começo do século XXI, um jovem californiano chamado David Jay fundou uma comunidade, que atraiu muitas pessoas. A internet teve um papel fundamental no surgimento desse grupo, através de comunidades virtuais, fóruns e redes sociais, nas quais as pessoas separadas geograficamente puderam se conectar com pessoas semelhantes. Isso foi possível por causa das conquistas de movimentos como o LGBT.

A AVEN – Asexual Visibility and Education Network- foi fundada em 2001 e tem mais de 70 mil membros de todo o mundo. Tem atuação nas paradas da diversidade e na mídia e busca visibilidade da população assexual. A internet foi muito significativa para construção e difusão e articulação do conceito e dos indivíduos para construção da comunidade sobre assexualidade, hoje está em vários países.

A assexualidade desafia postulados históricos das construções sociais de sexualidade e gênero:

  1. Universalidade do interesse sexual
  2. Universalidade dointeresse na formação deparcerias amorosas
  3. Compulsoriedade da atividade sexualnos relacionamentos amorosos
  4. Naturalização da centralidade das relações amorosas e sexuais na experiência humana

Para Elisabete, as normas sociais estabelecem a universalidade do interesse afetivo-sexual, a compulsoriedade da atividade sexual nas relações amorosas, bem como a centralidade das relações afetivo-sexuais na experiência humana. A sexo-normatividade está para os assexuais assim como o patriarcado está para as feministas, oua heteronormatividade está para LGBs, ou a cisnormatividade está para transgêneros.

Na vivência da educação sexual escolar, as principais expectativas dessa população é de que possam conseguir avançar em alguns tópicos, como:

  • Educação sexual escolar – facultativa
  • Educação sexual escolar – tinha que ser nos anos finais da escolarização básica
  • Incluir na diversidade sexual – assexualidade
  • Respeito às diferenças individuais – diminuição do preconceito
  • Educação sexual – “neutra” em relação a crenças religiosas e livre de julgamentos morais e tabus
  • Problematização do interesse afetivo-sexual compulsório
  • Não apresentar o sexo como prioridade na vida dos jovens
  • O sexo não é a coisa mais importante no namoro ou no casamento
  • Pressão social para iniciação afetivo-sexual
  • Despatologização do desinteresse afetivo-sexual
  • Celibato/abstinência como alternativa legítima de vivência da sexualidade
  • Discussão sobre o amor romântico

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