Educação para igualdade racial e de gênero

Lícia Barbosa é diretora do  ICEAFRO e doutora em Estudos Étnicos e Africanos e Professora e Coordenadora do NUPE-DEPED da Universidade do Estado da Bahia. Ela fala da importância do curso e da fala sobre mulheres negras para as mulheres negras e para um público mais diverso.

Para ela, o  compromisso ICEAFRO é promover a igualdade de oportunidades entre negros e não negros e entre mulheres e homens, por meio de ações de educação, com foco em gênero e raça. O trabalho é baseado em princípios como Ancestralidade, Identidade e Resistência.

No princípio da Ancestralidade, há o respeito aos que existiram e aos que virão. Expressa uma relação equilibrada entre o passado, o presente e o futuro, valorizando as/os que vieram antes de nós; suas lutas, suas histórias e o papel dos que vivem hoje na continuidade desses feitos, transmitindo para o futuro aquilo que fizeram e tiveram de melhor.

 A Identidade é forjada pela ancestralidade. É o princípio organizador de todas as ações sociais, pois sem ela não existe raiz, referência de si e do outro. É aquilo que somos, como nos vemos. É como somos vistos pelo outro diferente de nós. As identidades são construídas por meio da diferença e não fora dela, é por meio da relação com o outro, da relação com aquilo que não é, daquilo que falta, que as identidades podem ser construídas. Elas não são fixas, fechadas, mas plurais diversas, mutantes, elas marcam nossas diferenças, o que temos de específico. Eu afirmo o que eu sou para dizer o que eu não sou. Raça, classe, gênero, sexualidades, corpo, territorialidades são marcas importantes das identidades.

A Resistência é o processo de luta pela sobrevivência física e cultural dos povos indígenas e negros no Brasil, através de ações sociais, políticas, culturais e religiosas, fazendo com que os  conhecimentos ancestrais se mantenham e  fortaleçam a identidade étnico-racial.

Quando se fala de diferenças e igualdade, é importante observar que a não observância das diferenças gera desigualdades, portanto, há a necessidade de, ao lado do direito da igualdade, se afirmar o direito da diferença.Tratar de maneira distinta os que não se encontram em condições de igualdade, para que sejam construídas relações justas, sem iniquidades, é o princípio da equidade.

Interseccionalidade 

É uma conceituação das duplas ou triplas formas de discriminação que busca capturar as consequências estruturais e dinâmicas da interação entre dois ou mais eixos da subordinação. Citando Kimberlé Crenshaw: “Ela trata especificamente da forma pela qual o racismo, patriarcalismo, a opressão de classe e outros sistemas discriminatórios criam desigualdades básicas que estruturam as posições relativas de mulheres, raças, etnias, classes e outras” O ICEAFRO acredita na formação de professores para promover mudanças significativas na educação. É preciso repensar o currículo e recoloca-los a partir de suas identidades, não algo teórico apenas, mas a partir das memórias e como isso vai ser recolocado em práticas pedagógicas. A relação que se procura estabelecer com os pares deve ser colaborativa, procurar não culpabilizar, somos resultados de uma sociedade como essa. Sem culpabilizar, mas acordando as colegas para as temáticas, que não é algo fácil de ser tratado.

A apresentação está disponível aqui.

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