Ponto de Cultura
“O caminho do Hip Hop é a autogestão”, defende o rapper GOG PDF Imprimir E-mail
Por Administrator   
Qua, 28 de Março de 2012 17:11

O rapper GOG (Genival Oliveira Gonçalves), um dos pioneiros do gênero no Brasil, encerrou o show em comemoração ao Dia do Graffiti, na noite desta terça-feira (27), na sede da Ação Educativa. Antes dele, passaram pelo palco Nu-MIC, Nuscorre e Lindomar e Rapadura.

Em entrevista à Ação Educativa, GOG comenta aspectos de sua trajetória, iniciada nos anos 80. Como ativista incansável do movimento Hip Hop, ele tem percorrido diversas cidades do país e é reconhecido no meio como o poeta do Rap nacional, com sete CDs gravados. Atualmente, atua em parceria com o cantador Rapadura, natural do Ceará, e do DJ Tiago, de Brasília.

Na entrevista, GOG defende que, para além de tentar se apropriar de espaços institucionalizados, o movimento Hip Hop precisa construir seus próprios espaços. Leia abaixo a íntegra.

Ação Educativa - Como começou sua trajetória no movimento Hip Hop?

GOG - Meu primeiro contato foi com a música negra. O habitat, o lugar em que você mora, ele já traz a primeira identificação musical. Minha infância em Brasília me trouxe a convivência e o gosto pela música negra, por artistas como Tim Maia, Cassiano, Gerson King Kong, Lady Zu. A consequência natural foi o Hip Hop, que no início dos anos 1980 chega às periferias brasileiras. Eu fui um dos jovens que atendeu ao chamado musical. Foi uma adesão natural. Não me conheço sem a música. Comecei a cantar aos 12, mas já tinha a identificação da música.

Ação Educativa – Quando você percebeu a dimensão deste trabalho e resolveu seguir carreira profissional?

GOG - Eu sempre trabalhei de forma profissional. Todos os grupos que eu montei eram muito dedicados. Os grupos de funk, soul, break. E a sequência natural destes trabalhos foi também o rap e a escrita. Quando eu comecei a escrever, as pessoas falavam: “poxa, sua letra é diferenciada”. As pessoas nem acreditavam que era eu quem as escrevia letras.

Ação Educativa – Você enxerga especificidades do movimento Hip Hop no Brasil? Como você acha que esta linguagem foi incorporada no país?

GOG - O movimento no Brasil tem suas características sim! Mas não temos reverberação na mídia. O Hip Hop não é uma música que toca nas rádios oficiais, uma música que está nos quatro cantos do Brasil de forma que você enxergue facilmente, mas ela está lá sim. Todos os estados têm seu foco da rebelião.

O Hip Hop nasceu nas periferias, então nas periferias ele continua atuante. Ele saiu de sua casa e começou a andar por outras áreas, por outras avenidas (falando poeticamente) e só nesses momentos é que ele passou a ser visto e amplificado. Então quem amplifica tem a impressão de que o Hip Hop perdeu a força, que ele cansou, mas no nosso Brasil, aliás, são vários brasis, o Hip Hop continua firme e atuante.

Ação Educativa – Quais os desafios que você vê hoje para o movimento?

GOG - Hoje o grande debate do Hip Hop é não desviar nas retas do fim das vozes do início, pra usar mais uma figura poética.

O Hip Hop tem um papel de resgate, de ser amplificador das causas e das canções com que ele se identifica. Mas chega um determinado momento em que os meios de comunicação que têm força tentam esconder a força do Hip Hop. Será que é interessante divulgar o GOG, o Mano Browm? Será que é interessante essas letras contundentes, como as do Facção Central serem mais discutidas na sociedade?

Isso é muito relativo e eles não vão fazer esse papel. Por isso, acho que o caminho do Hip Hop é a autogestão: é nos fazermos nossos próprios jornais, fazermos nossas próprias roupas, caminharmos trabalhando nossos próprios espaços. E, claro, dialogar com os outros, com quem respeita nosso trabalho. Nem todos respeitam. Tem gente que pensa que o rap não é música.

Ação Educativa – GOG, você entrou em estúdio recentemente. Quando deve sair seu novo álbum?

GOG - Meu novo disco deve sair no segundo semestre de 2012.

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Última atualização em Qui, 29 de Março de 2012 16:50
 

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