Ponto de Cultura
Editora da Agenda da Periferia fala sobre os cinco anos da publicação PDF Imprimir E-mail
Por Administrator   
Seg, 02 de Julho de 2012 14:25

Por Karol Coelho*

Paulistana, Elizandra Souza cresceu na periferia. Morou com a família em Nova Soure, Bahia, por onze anos. Retornou para São Paulo em 1996 e conheceu a cultura hip hop.

Jornalista diplomada, começou sua carreira ainda antes de ingressar na universidade, em 2001, quando foi editora do Fanzine Mjiba (que significa jovem mulher revolucionária em um dialeto africano). E também começou a escrever poesias para a revista “Punga” (poesias), em co-autoria com Akins Kinte, pela Edições Toró, em 2007.

Poeta do Sarau da Cooperifa há oito anos, moradora do Grajaú, zona sul de São Paulo, é também redatora da Agenda Cultural da Periferia, um guia impresso mensal.

A Agenda é fruto de um dos programas de cultura da Ação Educativa, uma ONG que atua há 18 anos na área da educação, responsável também pelo Espaço Cultural da Periferia no Centro.

Karol Coelho: Como surgiu a Agenda Cultural da Periferia?

Elizandra Souza: Vários grupos de cultura de rua e movimentos sociais procuravam a Ação Educativa para utilizar o auditório da organização, por ser um espaço no centro com acesso a várias regiões da cidade. Percebeu-se que a grande imprensa não se interessava em cobrir e divulgar esses tipos de atividades.

KC: Como vocês fazem essa agenda?

ES: A gente conta com uma rede de colaboradores. As pessoas enviam as atividades até o dia 20 do mês anterior ao evento.

KC: Qual a importância da publicação?

ES: Avaliar isso é bem interessante. Com cinco anos de atuação, a gente consegue enxergar que há grupos e eventos que, se não fosse por nossa agenda, dificilmente a imprensa ficaria sabendo (ou outros públicos). Além disso, a agenda serve também para proporcionar o intercâmbio entre os grupos realizadores e organizadores, já que divulgamos todos os seus contatos e endereços.

KC: O que diferencia os eventos realizados na periferia dos outros?

ES: O conceito de periferia não é só a questão geográfica, mas também social. Como exemplo, temos a Favela do Moinho, que está no centro. Geralmente também são atividades que acontecem em lugares improvisados como o Cine Escadão, que é uma sala de cinema improvisada em um escadão no Jardim Peri, ao ar livre. Além da produção ser, em geral, independente ou custeada por meio de leis de incentivo.

KC: Quais são os eventos que mais divulgam?

ES: No começo a demanda era maior para o samba. Atualmente os que mais nos procuram são os saraus. Literatura se tornou uma página bem disputada.

KC: E muita gente frequenta estes eventos?

ES: Nós apenas divulgamos. Mas já comparecemos em alguns em que só a galera que organizou estava presente. É bem complicada a formação de público. É difícil as pessoas se apropriarem dos eventos e dos locais onde eles acontecem. É o caso dos CEUs: há espaço, mas não há público. Eventos chegam a ser cancelados.

KC: O que é necessário pra mudar isso?

ES: Falta educar o público.

KC: Você que cresceu na periferia e participa do circuito cultural como poeta. Dá para se divertir próximo de casa?

ES: Com certeza.

* Karol Coelho, 20, é correspondente do Campo Limpo

Do Blog Mural da Folha
Ter, 26 de julho de 2012

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Última atualização em Seg, 02 de Julho de 2012 14:34
 

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