Cultura
Lançada em São Paulo a Frente Parlamentar em Defesa da Cultura PDF Imprimir E-mail
Por Administrator   
Sex, 02 de Dezembro de 2011 12:29

Diante de mais de 200 pessoas, a deputada estadual, Leci Brandão (PCdoB) anunciou a criação da Frente Parlamentar em Defesa da Cultura da Assembleia Legislativa de São Paulo – ALESP, em evento realizado na tarde do dia 30 de novembro no Auditório Paulo Kobayashi, principal plenário da Casa. A iniciativa contou com a adesão de 46 deputados, de todos os partidos políticos, sendo 30 membros efetivos e 16 apoiadores.  Na solenidade, além da deputada Leci Brandão, formaram a Mesa, Carlos Augusto Calil, secretário de cultura da Cidade de São Paulo, Valério Benfica, chefe do escritório de representação do Ministério da Cultura no Estado de São Paulo e Claudete Moreira Ramos, que representou o secretário estadual de cultura Andrea Mattarazzo.

A Frente Parlamentar da Cultura que será coordenada pela deputada Leci Brandão, terá cinco linhas de atuação, assim definidas em documento entregue aos presentes: acompanhar a política governamental do Estado; promover a preservação e difusão da cultura popular paulista; promover encontros, debates e simpósios; aprimorar e propor inovações na legislação vigente e zelar pelo cumprimento da legislação que protege a diversidade de bens e expressões culturais.

Logo no início da solenidade, Leci Brandão fez questão de registrar o empenho do ex-deputado estadual e atual deputado federal Vicente Candido (PT/SP) que nas legislaturas anteriores idealizou a iniciativa de articular parlamentares em torno das demandas da cultura no Estado. Leci também enalteceu a presença de Teodosina Ribeiro que foi a primeira deputada estadual negra de São Paulo. Muito entusiasmada, Leci concluiu sua mensagem falando do déficit de investimento da cultura nas periferias e da necessidade de se estabelecer um fluxo entre o Centro e as bordas das metrópoles: "É importante levar o balé, o teatro, a orquestra sinfônica para a periferia, mas é preciso trazer o samba, o hip hop, o rap para o outro lado também conhecer. Cultura é diversidade", disse.

Carlos Augusto Calil foi enfático sobre a importância de se ter uma articulação parlamentar em favor da cultura. Só assim, acredita, o orçamento da cultura poderá ser mais bem dimensionado, ficando menos sujeito a cortes abruptos e reduções planejadas, ressaltando ser necessária uma frente semelhante na Câmara Municipal da capital. O vereador Netinho de Paula (PCdoB/SP) endossou a fala do secretário, se dispondo a encabeçar o movimento no Palácio Anchieta e acrescentou: "precisamos fazer frente ao circuito comercial da arte e romper com a visão colonizadora. É preciso derrubar os preconceitos, promover o acesso ao acervo cultural clássico, mas não podemos preterir a arte do povo. É sim possível conviver com todas as expressões”.

Já o representante do Ministério da Cultura, ressaltou a importância da Frente Parlamentar para garantir a construção e a implementação do Plano Nacional de Cultura e do Sistema Nacional de Cultura, duas iniciativas federais que necessitam de adesão institucional por parte dos governos nas esferas municipais e estaduais. “O Estado de São Paulo dá um exemplo para o país e a liderança da deputada Leci Brandão foi fundamental para isso”, concluiu Valério Benfica. Claudinele Ramos ressaltou a importância de se garantir políticas para o interior do Estado. Segundo ela, às vezes mais penalizado do que regiões de periferia da Região Metropolitana da Capital.

A Ação Educativa compareceu ao evento por meio de seu membro da coordenação executiva, Eleilson Leite.  Eleilson, que também é coordenador do Programa de Cultua da instituição, destacou a importância do ato: “a Frente Parlamentar é uma reinvindicação que vem desde 2005, quando houve uma grande mobilização pelo Fundo Estadual de Cultura. Vê-la finalmente criada é de extrema importância para que lutas como aquela voltem a ter força na Assembleia Legislativa”. E acrescentou: “é preciso desengavetar a Lei do Fundo Paulista da Cultura que foi substituído pelo PROAC – Programa de Ação Cultural, cuja maior parte dos recursos fica destinados ao incentivo fiscal através da renúncia do ICMS em prejuízo dos 32 editais nele previstos que ficam com apenas 20% da verba, algo em torno de R$ 40 milhões, que é muito pouco para um Estado do tamanho de São Paulo”.

Entre os presentes que fizeram uso da palavra, destacaram-se representantes dos movimentos de hip hop e do samba. O rapper Rappin Hood foi enfático sobre a necessidade de se ampliar os equipamentos culturais nas periferias. Nelson Triunfo destacou a importância de se articular educação e cultura: “a cultura segura o ‘BO’ da evasão escolar”, disse o dançarino. “Os moleques abandonam as escolas e caem nas oficinas culturais sem a formação necessária”, conclui. O radialista Moises da Rocha, conhecido pelo programa O Samba pede Passagem, há mais de 30 anos no ar na Rádio USP FM, contestou a visão dos governos e dos parlamentares que só dão atenção para o samba na época do carnaval. “O samba é muito mais do que o carnaval, ele está presente todos os dias nas comunidades das periferias e no interior do Estado que preserva suas origens rurais”, ressaltou com sua voz inconfundível.

Estiveram presentes no evento diversos representantes de terreiros de Candomblé e Umbanda, Companhia Paulista de Teatro, representantes de escolas de samba como o Carlão da Peruche e de comunidades de samba, como Chapinha, do Samba da Vela. Artistas consagrados também prestigiaram o ato, entre eles o rapper Dexter e o sambista Osvaldinho da Cuíca.

Última atualização em Sex, 02 de Dezembro de 2011 12:43