Observatório da Educação
Brasil quer rever programa de alfabetização de adultos PDF Imprimir E-mail
Por Administrator   
Qui, 14 de Junho de 2012 16:24

Encontro reuniu alguns estados brasileiros e países da América Latina para debater caminhos para a alfabetização

 

A Reunião Técnica Internacional sobre Alfabetização de Jovens, Adultos e Idosos aconteceu 4 e 5 de junho com representantes de ministérios de educação de México, Cuba, El Salvador e Paraguai para discutir métodos de alfabetização.

Veja a programação e as apresentações dos países

No Brasil, o Programa Brasil Alfabetizado (PBA) já completa dez anos. O programa, de duração de 6 a 8 meses, tem mostrado dificuldades em caminhar em direção à superação do analfabetismo no país, além de conseguir garantir apenas que uma pequena parte dos alfabetizandos continuem seus estudos em uma escola de jovens e adultos (EJA) das redes municipais e estaduais de ensino. Essa é uma das mais graves fragilidades do programa, segundo pesquisadores, pois a não continuação dos estudos pode comprometer o pouco aprendido (leia mais aqui).

Atualmente, 13,9 milhões de pessoas com 15 anos ou mais são consideradas analfabetas no país, ou 9,6% da população, de acordo com o Censo 2010. A desigualdade regional é alta: no Semiárido, a taxa sobe para 24% da população.

Além disso, quase 62 milhões de pessoas com mais de 15 anos não frequentam a escola e não têm o Ensino Fundamental completo.  O número de matrículas na modalidade EJA é de cerca de 3,5 milhões (Educacenso, 2011).

A reunião técnica aconteceu para subsidiar a Comissão Nacional de Alfabetização e Educação de Jovens e Adultos (CNAEJA), a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi), e o Ministério da Educação (MEC), servindo como uma etapa do debate sobre essa questão.

A participação dos diferentes países serviria para compartilhar experiências e avaliar como outros países da América Latina se propõem a resolver seus problemas de analfabetismo adulto, o que poderia embasar ou servir de contraponto a propostas brasileiras.

Na reunião, vários expositores salientaram que o Brasil possui uma longa tradição em alfabetização, sendo uma importante referência no que se refere a métodos de ensino. Uma de suas mais importantes referências é o método freiriano, adotado em vários países. Versões de programas de alfabetização mais rápidas como o cubano Yo, Si Puedo chegaram a ser implantadas de forma experimental em algumas cidades do Piauí e Paraíba (João Pessoa).

O primeiro dia do encontro contou com a apresentação dos casos de México, Paraguai, Cuba e El Salvador. No Brasil, os entes que executam o programa de alfabetização são, em sua maioria, municípios, mas alguns estados que implantam a política de alfabetização estiveram presentes também: Pará, Minas Gerais, Bahia e Paraíba.

Nos dois dias de reunião, foi formada uma lista de pontos centrais, destacando-se a problemática de como articular o programa de alfabetização à política de EJA. A opinião de um dos participantes é de que a discussão sobre a metodologia, que seria importante, não teve grande destaque, e a postura dos governos presentes é de que os baixos resultados do programa seriam um problema de gestão.

Segundo apurou o Observatório da Educação, não houve tempo de elaborar um documento ou resolução final da reunião, e nem o governo brasileiro fechou alguma parceria ou colaboração com algum outro país. A reunião aconteceu para subsidiar os próximos passos do governo no seu próprio programa.

Fragilidades do PBA

O Programa Brasil Alfabetizado tem, entre suas maiores fragilidades, a falta de financiamento, a falta de formação de educadores, além da insuficiente articulação com uma política de EJA. Todos esses fatores juntos fazem com que o PBA tenha resultados aquém dos esperados – a taxa de analfabetismo passou de 13,63% para 9,6% em 10 anos.

O governo, segundo os presentes consultados, não defendeu métodos de outros países. Demonstrou, porém, a intenção de fortalecer o processo de inclusão do PBA na EJA, como mostra a apresentação que fez a Secadi no evento. O Observatório da Educação solicitou entrevista sobre o tema à Secadi, mas não foi atendido até o fechamento desta edição.

Quanto a algum “resultado” político da reunião, os entrevistados esperam alguma mudança ou vontade dos órgãos responsáveis, pois o momento atual é de críticas ao programa e de avaliação. Uma das primeiras medidas seria aumentar os investimentos.  O secretário executivo do MEC, Jose Henrique Paim Fernandes, afirmou em sua palestra no primeiro dia de reunião que não faltarão recursos para a reorientação do programa e esforço de análise.

Sim, eu posso

No Brasil existem algumas experiências piloto do método cubano Yo, Si Puedo (traduzido como Sim, eu posso). Fontes do Observatório da Educação não notaram uma tendência dos entes governamentais de expandir o programa para outros locais, e nem de substituir o PBA por um desses métodos. Foi indicado por vários participantes da reunião que a metodologia não é adequada para o Brasil.

Leia também:

Organizações e pesquisadores que atuam em EJA criticam atual programa de alfabetização

Do Observatório da Educação
Qua, 6 de junho de 2012

Última atualização em Qui, 14 de Junho de 2012 17:10
 

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