Observatório da Educação
Professores não são ouvidos por jornais uruguaios sobre paralisações PDF Imprimir E-mail
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Qui, 05 de Julho de 2012 17:23

Dirigentes sindicais são consultados, mas falta opinião de professores na cobertura sobre manifestações de docentes da rede pública em todo o país


Por Stephanie Kim Abe, do Vozes da Educação

A falta de diálogo com o governo federal sobre a Rendição de Contas fez os professores da rede pública do Uruguai iniciarem uma série de paralisações em todo o território no último mês. O Vozes da Educação analisou como o Últimas Notícias e El País, principais jornais uruguaios, cobriram essa questão entre os dias 11 e 25 de junho.

O estopim para as mobilizações foi a recusa do presidente José Mujica em receber a CSEU (Coordinadora de Sindicatos de la Enseñanza) no dia 8 de junho – após cerca de três semanas de diálogos em que o chefe de Estado comprometera-se a se reunir com os sindicatos da educação pela segunda vez. Em matéria publicada no dia 11 de junho, o El País publicou a suspeita levantada por dirigentes dos sindicatos de que o governo não vai atender às suas reivindicações.

Os sindicatos reivindicam principalmente um aumento do orçamento para educação que envolva melhorias nas condições das escolas públicas e um aumento salarial – principalmente o salário básico do professor de primeiro grau.

A partir de então foram organizadas diversas paralisações diárias, em diferentes distritos do país pela Fenapes (Federación Nacional de Profesores de Educación Secundaria) e outros sindicatos docentes, como de Primaria (FUM), da UTU (Afutu) e dos funcionários da Universidad de la República (Affur).

A situação ficou mais crítica quando a Fenapes resolveu entrar em greve de fome, no dia 21. Sobre o caso, os jornais se posicionaram de forma diferente. Enquanto o Últimas Notícias apenas informou sobre a decisão do órgão de cinco de seus dirigentes entrarem em greve de fome, o El País focou na afiliação partidária desses membros, colocando que seriam “líderes comunistas e radicais” os protagonistas da greve. No dia 19, o Últimas Notícias mostrou sua posição sobre o tema em editorial intitulado “Nuevos e incomprensibles paros de Fenapes”, no qual coloca que essas paralisações e atitudes do Fenapes não ajudam a melhorar a educação do país.

O que se nota em todas as matérias é que aparecem apenas as opiniões dos dirigentes dessas organizações e em nenhum momento, em ambos os jornais, há espaço para a opinião de professores que não fazem parte da diretoria dos sindicatos. Também não são consultados pais ou alunos sobre o tema.

ProMejora

Um dos pontos de conflito entre os docentes e o governo é o plano ProMejora (Proyecto de Fortalecimiento de los Centro Educativos), idealizado por Daniel Corbo, do Codicen (Consejo Directivo Central) da ANEP (Administración Nacional de Educación Pública), que busca dar mais autonomia a alguns centros educativos selecionados. Nenhum dos dois jornais aprofunda a proposta do programa, além de não levantarem quais as críticas específicas que os professores têm quanto a ele.

Vale destacar, porém, que o Últimas Notícias faz uma pesquisa popular, publicada no dia 25 de junho, perguntando o que a população acha do projeto. Nessa matéria, o jornal informa que o Uruguai tem o mesmo sistema educativo há 100 anos e que é hora de mudar esse panorama.

O Últimas Notícias ainda tem uma cobertura mais abrangente, com matérias que contam mais os pormenores do conflito – como a mediação da senadora Topolansky no diálogo entre o governo e os sindicatos, fato esse que não foi mencionado em nenhuma matéria desse período no El País.

Do portal Vozes da Educação
Qua, 4 de julho de 2012

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Última atualização em Ter, 10 de Julho de 2012 17:25
 

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