| Professores não são ouvidos por jornais uruguaios sobre paralisações |
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| Por Administrator |
| Qui, 05 de Julho de 2012 17:23 |
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Dirigentes sindicais são consultados, mas falta opinião de professores na cobertura sobre manifestações de docentes da rede pública em todo o país
O estopim para as mobilizações foi a recusa do presidente José Mujica em receber a CSEU (Coordinadora de Sindicatos de la Enseñanza) no dia 8 de junho – após cerca de três semanas de diálogos em que o chefe de Estado comprometera-se a se reunir com os sindicatos da educação pela segunda vez. Em matéria publicada no dia 11 de junho, o El País publicou a suspeita levantada por dirigentes dos sindicatos de que o governo não vai atender às suas reivindicações. Os sindicatos reivindicam principalmente um aumento do orçamento para educação que envolva melhorias nas condições das escolas públicas e um aumento salarial – principalmente o salário básico do professor de primeiro grau. A partir de então foram organizadas diversas paralisações diárias, em diferentes distritos do país pela Fenapes (Federación Nacional de Profesores de Educación Secundaria) e outros sindicatos docentes, como de Primaria (FUM), da UTU (Afutu) e dos funcionários da Universidad de la República (Affur). A situação ficou mais crítica quando a Fenapes resolveu entrar em greve de fome, no dia 21. Sobre o caso, os jornais se posicionaram de forma diferente. Enquanto o Últimas Notícias apenas informou sobre a decisão do órgão de cinco de seus dirigentes entrarem em greve de fome, o El País focou na afiliação partidária desses membros, colocando que seriam “líderes comunistas e radicais” os protagonistas da greve. No dia 19, o Últimas Notícias mostrou sua posição sobre o tema em editorial intitulado “Nuevos e incomprensibles paros de Fenapes”, no qual coloca que essas paralisações e atitudes do Fenapes não ajudam a melhorar a educação do país. O que se nota em todas as matérias é que aparecem apenas as opiniões dos dirigentes dessas organizações e em nenhum momento, em ambos os jornais, há espaço para a opinião de professores que não fazem parte da diretoria dos sindicatos. Também não são consultados pais ou alunos sobre o tema. ProMejora Um dos pontos de conflito entre os docentes e o governo é o plano ProMejora (Proyecto de Fortalecimiento de los Centro Educativos), idealizado por Daniel Corbo, do Codicen (Consejo Directivo Central) da ANEP (Administración Nacional de Educación Pública), que busca dar mais autonomia a alguns centros educativos selecionados. Nenhum dos dois jornais aprofunda a proposta do programa, além de não levantarem quais as críticas específicas que os professores têm quanto a ele. Vale destacar, porém, que o Últimas Notícias faz uma pesquisa popular, publicada no dia 25 de junho, perguntando o que a população acha do projeto. Nessa matéria, o jornal informa que o Uruguai tem o mesmo sistema educativo há 100 anos e que é hora de mudar esse panorama. O Últimas Notícias ainda tem uma cobertura mais abrangente, com matérias que contam mais os pormenores do conflito – como a mediação da senadora Topolansky no diálogo entre o governo e os sindicatos, fato esse que não foi mencionado em nenhuma matéria desse período no El País. Do portal Vozes da Educação Leia também: 97% dos docentes brasileiros possuem computador, aponta pesquisaFóruns de educação latino-americanos manifestam solidariedade ao ParaguaiVeja mais um depoimento da série "O que é ser professor em sua cidade?" |
| Última atualização em Ter, 10 de Julho de 2012 17:25 |