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Atividade na Cúpula dos Povos debate "a educação que precisamos para o mundo que queremos" PDF Imprimir E-mail
Por Administrator   
Ter, 03 de Julho de 2012 15:22

Durante a Cúpula dos Povos, que ocorreu no Rio de Janeiro entre os dias 15 e 23 de junho, o Grupo de Trabalho de Educação realizou a atividade autogestionada "A educação que precisamos para o mundo que queremos", resultado do trabalho iniciado em novembro de 2011, quando o GT de Educação foi constituído. Desde então, foram realizados diversos encontros - virtuais e presenciais - que possibilitaram um acúmulo tanto teórico como de experiências para incidir no processo da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20.

Um das iniciativas desenvolvidas pelo GT neste período foi o seminário virtual "Educação em um mundo de crises: limites e possibilidades frente à Rio+20". Realizado em novembro de 2011, o evento foi parte do processo preparatório para o Fórum Social Temático: Crise Capitalista, Justiça Social e Ambiental, que aconteceu em Porto Alegre, em janeiro de 2012.

O seminário foi desenhado em torno de três questões: 1- o momento da Rio+20 como oportunidade para aprofundar novos paradigmas como o Bem Viver, o paradigma do Cuidado e da sustentabilidade da vida; 2- os movimentos de educação e os movimentos da sociedade civil; e 3- as aprendizagens necessárias para aprofundar a democracia nas diversidades e a sustentabilidade. Os textos resultantes do debate no seminário estão disponíveis para download no site do Conselho Internacional Para Educação de Adultos (ICAE, na silga em inglês).

Os resultados do seminário virtual serviram de aporte para embasar as discussões realizadas durante o Fórum Social Temático 2012, que resultaram em outro documento, denominado 'A educação que precisamos para o mundo que queremos" - disponível para download no site Plataforma de Diálogos 2012 e também no site da Campanha Latinoamericana pelo Direito à Educação (CLADE).

Esse material aponta a posição de diversos movimentos da sociedade civil, redes, organizações, entidades e indivíduos sobre a educação e a necessidade de repensar e reformular suas práticas e propósitos. Nele, o entendimento instrumental da educação, baseado apenas em sua dimensão econômica, foi repudiado, assim como sua utilização como ferramenta para formar consumidores e trabalhadores com capacidades voltadas exclusivamente para fortalecer o mercado.

Além disso, o documento indica os vários problemas intrínsecos ao sistema atual, que apontam sinais de esgotamento global em todas as esferas do social, econômico, político e ambiental, evidenciando a necessidade de alternativas que superem esse cenário crítico.

Debate na Cúpula do Povos

Na atividade autogestionada do GT, esses problemas foram debatidos e buscou-se ampliar a discussão para outras pessoas que passaram pela Cúpula dos Povos. Entre os pontos levantados no debate, reforçou-se o fato de que a educação tem falhado na formação de cidadãos e cidadãs capazes de pensar os importantes problemas políticos, ambientais, econômicos e sociais de ordem global.

A conclusão dos participantes apontou para a necessidade de significar os fins e práticas educacionais, buscando formar um projeto com sentido ético e político para o fortalecimento da democracia e transformação social. Apontou-se também a característica transversal da educação e sua capacidade de articular diferentes atores para discutir de maneira holística as múltiplas crises e fomentar um trabalho tanto nas bases, com as mobilizações cidadãs, como nos espaços de interlocução entre diversos atores.

Declaração final da Rio+20

As redes internacionais e regionais da sociedade civil que formam o GT de Educação manifestaram sérias preocupações com os compromissos exprimidos na declaração oficial da Rio+20. O GT denunciou, em nota pública, que os compromissos acordados pelos Estados são muito tímidos e curtos em relação à garantia da educação como um direito humano, além de abordarem essa questão de maneira genérica, não apresentando ações concretas.

As referências à educação para o desenvolvimento sustentável também foram pouco desenvolvidas, não tendo sido abordadas sob a lógica do empoderamento do cidadão e cidadã para que possam agir e transformar o atual sistema e promover alternativas com justiça social e ambiental.

A visão instrumental da educação foi rechaçada pelas redes, assim como o conceito de economia verde, que não reconhece a complexidade das crises atuais. De maneira geral, considerou-se que o documento oficial aprofunda o modelo de desenvolvimento existente, embasado na extração predatória de recursos naturais, na privatização da vida, e distribuição desigual da riqueza.

Leia a íntegra da nota pública

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Última atualização em Ter, 03 de Julho de 2012 15:36
 

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