Boletim mensal sobre educação de jovens e adultos
novembro 2006

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:: A necessidade de um censo de EJA

São Paulo, apesar de possuir índice de analfabetismo inferior à média nacional, é a cidade brasileira com o maior número absoluto de pessoas analfabetas ou com o ensino fundamental incompleto. Estima-se que cerca de 1,1 milhão de pessoas acima de 15 anos têm menos de quatro anos de estudo. No entanto, as redes de ensino públicas e particular matricularam em 2006 no ensino presencial apenas 265.951 jovens e adultos, incluindo o atendimento na segunda etapa do ensino fundamental. Assim, torna-se difícil aceitar que mais de 200 salas que atendiam a população jovem e adulta nas escolas municipais tenham sido fechadas no início do segundo semestre deste ano por falta demanda.

 

Realizar censo da demanda por EJA é o primeiro passo para atendimento eficiente

Em setembro, após a realização de uma audiência pública sobre o atendimento na educação de jovens e adultos no município de São Paulo – que contou com a participação de representantes de movimentos sociais, organizações não governamentais e universidades –, o Ministério Público Estadual de São Paulo constatou a necessidade da realização de um censo educacional específico para dar mais eficácia às políticas públicas dessa modalidade.

Essa é uma exigência que já está prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Tendo em vista que um censo educacional pode ser realizado de diferentes maneiras, esta edição do Informação em Rede destaca três experiências de levantamento de demanda por políticas de educação de jovens e adultos: em Mato Grosso, em Diadema e em Santos.

:: Prefeitura de SP fecha 243 salas de EJA

No segundo semestre deste ano, 243 salas de Educação de Jovens e Adultos, em diferentes pontos da cidade de São Paulo, foram fechadas pela administração municipal devido à “baixa procura de vagas”. É o que explica ofício encaminhado em outubro pelo secretário municipal de educação ao Ministério Público de São Paulo, em resposta a uma solicitação do MP sobre o atendimento aos alunos jovens e adultos.

:: Salto na renda do trabalhador é maior ao concluir cada etapa educacional

Estudo recente do IPEA – Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas mostra que a renda do trabalhador aumenta a cada ano a mais de escolaridade, mas que esse aumento não é linear. O ganho é mais significativo se o ano adicional de educação está associado a um grau completo.

:: Estudo aponta competição e falta de coordenação entre programas de alfabetização

A pedido do Centro de Cooperação Regional para a Educação na América e Caribe – Crefal, a pesquisadora Rosa María Torres iniciou esse ano um estudo qualitativo sobre alfabetização e acesso à cultura escrita por parte dos jovens e adultos excluídos do sistema escolar na região. Entre março e agosto, ela visitou sete países (Argentina, Bolívia, Equador, Peru, México, República Dominicana e Venezuela) e programas de alfabetização de alcance nacional e local, governamentais e não-governamentais. A partir desse diagnóstico, foi criado um grupo de especialistas latino-americanos em alfabetização e cultura escrita.

 

:: Jornal para professores

edição especial do jornal Letra A, editado pelo Centro de Alfabetização de Leitura e Escrita da UFMG em parceria com a Ação Educativa, tem como tema central a alfabetização e a educação de pessoas jovens e adultas.

 

:: Novas tecnologias, alfabetização e educação informal

A edição 66 da revista Educación de Adultos y Desarrollo traz artigos sobre educação de adultos e novas tecnologias, educação para todos e alfabetização, educação informal e comunitária de adultos.

 

:: Educação de adultos em reclusão

A revista Decisio, do Crefal, traz artigos sobre educação de adultos em reclusão. O conteúdo da publicação e de suas edições anteriores está disponível no site http://decisio.crefal.edu.mx.

 

:: Fundo público e direito à educação

Salomão Barros Ximenes apresentou à Universidade Federal do Ceará a dissertação Fundo público e direito à educação: um estudo a partir dos gastos públicos da União e do município de Fortaleza, que analisa a mudança no padrão de distribuição do fundo público educacional a partir das reformas da última década. Em Fortaleza, as despesas do município com educação permaneceram estáveis nos últimos anos e o resultado foi a progressiva diminuição do gasto-aluno no ensino fundamental, caracterizando a ‘universalização com pauperização’ da educação pública.

 

EXPEDIENTE
Edição: Marina Gonzalez
Conselho Editorial:Claudia Lemos Vóvio, Maria Clara di Pierro, Mariângela
Graciano, Milena Mateuzi Carmo, Roberto Giansanti, Sérgio Haddad e Vera
Masagão Ribeiro

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