Pesquisa aponta expectativas dos jovens em relação ao Ensino Médio PDF Imprimir E-mail
Por Administrator   
Qua, 25 de Junho de 2008 15:29

Entre os que participaram do JADE, 43% gostariam de um ensino médio voltado à formação para o trabalho, relacionado a orientação ampla.



Pesquisa realizada pelo projeto Jovens Agentes pelo Direito à Educação (JADE), da Ação Educativa, relevou quais são as principais expectativas dos jovens ao ingressarem no ensino médio. Já na primeira etapa do projeto, 43% dos jovens que responderam ao questionário disseram que tinham, ao entrar no ensino médio, a expectativa de que esse os prepararia para o mercado de trabalho. A pesquisa deu origem ao relatório “Que Ensino Médio Queremos?”.

A busca por uma formação para o trabalho ficou evidente também na segunda etapa do projeto, quando foram formados oito grupos de diálogos. No entanto, os jovens relevaram, nessa etapa do projeto, que a formação para o trabalho não significa uma formação técnico-profissionalizante, e sim uma formação que os auxilie a delinear projetos individuais de escolha profissional, optando por entrar diretamente no mercado ou escolhendo um curso universitário para dar continuidade aos estudos.

De acordo Ana Paula Corti, coordenadora do projeto JADE, já era esperado que o trabalho fosse apontado como prioridade, já que é uma realidade para boa parte dos jovens que estão no ensino médio público, seja porque estão trabalhando ou se preparando para isso. Por outro lado, afirma “o mais importante é ressaltar que essa formação não se resume apenas a uma formação profissional, mas a um apoio para delinear projetos e uma trajetória no mundo do trabalho”.

Outra expectativa apontada pelos jovens é de uma escola que os ajude a “aprender a querer aprender”. Quando perguntados se os alunos são interessados no aprendizado, 59% responderam que às vezes, e 28% acreditam que raramente há interesse por parte do aluno. Os estudantes indicam a necessidade de a escola apoiá-los na construção de hábitos de estudo e de comportamentos para se obter sucesso na escola e na vida. Para Ana Paula, falta à escola desenvolver com os alunos as disposições e habilidades relacionadas ao próprio ofício discente. “Como disse a professora Marilia Sposito da USP, ninguém nasce aluno, mas se torna aluno, e construir esse ofício é função da escola”.

As conclusões obtidas pelo relatório apontam para a necessidade de se discutir, de forma ampla, qual o papel do ensino médio nos dias atuais, tendo em vista que houve uma ampliação substancial do acesso na última década, que, no entanto,  não foi acompanhada por um debate sobre os objetivos e diretrizes educacionais, desta que é a última etapa da educação básica. “O ensino médio não tem uma identidade, nem objetivos claros, recebe hoje uma população que não recebia há 15 anos atrás e precisa refletir melhor sobre quem são estes jovens e seus desafios. Os índices de evasão e reprovação são altos, poucos concluem e há uma hipótese de que um dos fatores é a pouca capacidade da escola de responder aos anseios da juventude”, conclui Ana Paula.

* O projeto JADE foi desenvolvido no final de 2007 em parceria com cinco escolas da zona leste de São Paulo. Ao todo foram ouvidos 880 jovens na primeira etapa do projeto – pesquisa quantitativa – e, depois, na segunda etapa foram formados os grupos de diálogos (com professores, alunos e membros da comunidade escolar em geral). Os grupos de diálogos foram inspirados na metodologia dos “Choicework Dialogue”,  cujo objetivo é promover reflexão e deliberação coletiva sobre temas de interesse público.

Leia o editorial "O ensino médio que queremos"


Última atualização em Qua, 09 de Novembro de 2011 16:20
 

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