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Jovens e Trabalho no Brasil - desigualdade e desafios para as políticas públicas” é uma parceria entre Ação Educativa e Instituto ibi.
Quais as diferentes formas de os jovens combinarem estudo e trabalho? Esse foi o mote do livro “Jovens e Trabalho no Brasil - desigualdade e desafios para as políticas públicas”, de Maria Carla Corrochano, Maria Inês Caetano Ferreira, Maria Virgínia Freitas e Raquel Sousa, lançado no último dia 21 na Ação Educativa.
A publicação é baseada na análise de dados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio - PNAD de 2006, numa parceria entre a Ação Educativa e o Instituto ibi, com o apoio técnico do DIEESE.
Além de apontar os jovens como um dos segmentos mais atingidos pelo desemprego, mesmo em conjunturas de aumento da oferta de empregos, a perspectiva do estudo é tornar evidente a realidade dos jovens no mundo do trabalho e o modo como diferentes jovens se relacionam com o trabalho e os estudos. “Assim, o poder público pode desenvolver políticas específicas, mais adequadas para enfrentar os diferentes aspectos do problema”, afirma Maria Virgínia de Freitas, a Magi, da Ação Educativa.
Para a análise dos dados, os jovens foram divididos em seis grupos: 1. os que apenas trabalham, 2. os que combinam trabalho e estudo, 3. os desempregados que estudam, 4. os desempregados que não estudam, 5. os que apenas estudam, e 6. aqueles que não trabalham, não estudam e não estão procurando emprego.
A pesquisa revelou que, entre aqueles que só trabalham há desigualdades profundas entre os jovens com maior e menor renda familiar. Os jovens que estão entre os 40% com menores rendimentos começam a trabalhar mais cedo, com o ensino fundamental incompleto, enquanto a maior parte dos jovens que estão entre os 20% mais ricos concluíram o ensino médio.
O dado é ainda mais alarmante quando se verifica a qualidade do emprego. Quanto mais cedo os jovens ingressam no mercado, menos os seus direitos são respeitados. Dentre aqueles entre 14 e 15 anos empregados, por exemplo, grande parte é não-remunerada e sem registro, trabalhando de 30 a 40 horas semanais. Poucos trabalham na condição de aprendiz, como a lei determina. À medida que a idade aumenta, os direitos trabalhistas passam a ser um pouco mais respeitados.
Desigualdades de gênero e de cor/raça
A pesquisa mostrou dados sobre gênero que, numa primeira visão, podem parecer contraditórios. Apesar de as mulheres possuírem, em média, mais anos de estudo que os homens, elas recebem menos e possuem condições de trabalho mais precárias. A taxa de desemprego entre elas também é maior. Magi afirma que, nesses casos, a qualificação não é suficiente para promover igualdade entre os gêneros.
A pesquisa também mostrou que os negros possuem menos anos de estudo, maiores taxas de desemprego, menores salários, empregos precários e entrada mais precoce no mercado de trabalho.
Essas desigualdades, de gênero e de cor/raça, ficam mais fortemente evidenciadas no grupo daqueles que não trabalham, não estudam e não procuram emprego, formado majoritariamente por negros (58,5%) e mulheres (77%). “A alta presença de mulheres e o fato de 34% do grupo ter declarado ocupar a posição de cônjuge, evidencia que a divisão sexual do trabalho permanece como um desafio a ser enfrentado. E, se as políticas não levarem em conta essas características, não surtirão efeito”, conclui Magi.
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